Lá no oriente um anjo anunciou e a estrela guiou; aqui no ocidente o fim do ano já chegou e a festa recém começou: então é Natal! Ruas iluminadas, árvores enfeitadas, mesas fartas - os até aqui marginalizados porém apetitosos peru recheados entram em cena uma vez mais para cumprir sua tarefa - presépios pitorescos e belos presentes, caros ou baratos: muitos! Emoção nunca escassa nos discursos natalinos seja em simples reuniões familiares ou mais elegantes jantares de fim-de-ano que empresas gentilmente franqueam aos seus empregados - às vezes até soando como a voz da pesada consciência dizendo desculpa-por-tudo-ano-que-vem-tem-mais. Enfim o que nos resta para este tempo são sinceros desejos de muita paz e esperança.
"Nasceu Jesus, fonte de luz, oh glória Deus nas alturas..." contra-balanceando com o coral improvisado de grandes e pequenos, por vezes "semi-harmonizados", em "noite de paz, noite de amor..." indicam que enfim a gratidão, a fé e a reflexão estão mais uma vez reunidas para celebrar o evento no qual lembramos o dia em que "o Verbo que se fez carne". Tempo mais que perfeito para pensar e reavaliar "detalhes" deixados para trás no ano que se finda em meio a um ambiente descontraído e altamente saudável - como deve ser.
Algum dia quem sabe você, como eu, se perguntou: e se o “menino Jesus” pudesse redigir também uma cartinha esperançosa ao Papai Noel, o que Ele pediria? computador, video-game, bicicleta? Será que no relato antigo dos “Três Reis Magos” podemos encontrar alguma verdade codificada sobre o que, de fato, alegraria o coração do nosso Salvador? "Cá entre nós"...Quão esplendida atuação na premiere cena do cristianismo tiveram os famosos “atores” Belchior, Baltazar e Gaspar. Nos dias de hoje possivelmente receberiam alguma indicação ao "prêmio de melhores atores co-adjuvantes" na glamurosa festa do "Oscar". Sabe-se que apesar de tão somente representarem os três tipos de presentes oferecidos a Jesus - Ouro, Incenso e Mirra, à saber - e não necessariamente a quantidade dos Reis do oriente que foram conduzidos pela estrela, não devemos nunca depreciar o aspecto romantico desta história pois foi graças a tal brilhante performance destes três heróis que a história verdadeira ganhou lugar definitivo em nossos corações através dos séculos. Vale aqui a nossa “homenagem”.
Falando nisso: um influente canal de televisão dedicado a exibição de documentários, há poucos dias trouxe à luz algo que ainda mais esquentaria a nossa fé. A comprovação astronômica do que teria sido episódio único no Sistema Solar: Ao estudar os movimentos dos astros através do tempo para ajudar na prevenção de riscos futuros, foi descoberto um deslocamento irregular porém controlado de um corpo celeste identificado na nossa galáxia datando dos tempos do rei Heródes por volta do ano 4 a.c. Coinscidência ou a "voz" no megafone de um pai orgulhoso esbanjando euforia: o Meu Filho vos nasceu! Outra vez a ciência comprovando que a Bíblia sempre tem a razão.
Um nascimento requer presentes e presentear alguém, é sempre preocupar-se em oferecer o nosso melhor. Não é difícil calcular o enorme valor das "encomendas" feitas pelo próprio Deus Pai a serem entregues ao Seu “Bebê” pelos primeiros adoradores. Naqueles tempos, ouro, incenso e mirra não se encontravam nas bancas do calçadão da cidade; eram sim artigos de luxo e bom gosto entre as primitivas comunidades do oriente tão caras quanto água potável - o despendioso combustível investido para a longa e difícil viagem no deserto.
Sob esta conjuntura voltamos à seguinte questão: haverá alguma lição para nós "embalada" nestes três tipos de presentes - tão diferentes entre sí embora destinados à mesma pessoa – hoje mais de dois mil anos depois? Ora, se fora um mero detalhe sem qualquer relevância no plano eterno, a Bíblia Sagrada possivelmente teria desprezado os pormenores desta "mini-série", bastando apenas informar algo como: "...trouxeram-Lhe dádivas do oriente". Estaria Deus nos alertando também para possíveis distorções que atingiriam esta celebração desde sua origem (também distorcida) em 354 d.c até chegar aos nossos dias?
Impossível não multi-interpretarmos tais dádivas entregues a querida familia de "carpinteiros". Sabemos que a complexidade do Livro Sagrado deve-se, entre outros fatores, à sua humanamente inexplicável revelação "tridimensional". Me explico: os relatos carregam em sí mesmos, três aspectos (histórico, poético e profético - passado, presente e futuro respectivamente). Por exemplo, o historiador Mark Rose, propõe que: "O ouro pode representar a realeza (além de providência divina para sua futura fuga ao Egito, quando Herodes mandaria matar todos os meninos até dois anos de idade de Belém). O incenso pode representar a fé, pois o incenso é usado nos templos para simbolizar a oração que chega à Deus assim como a fumaça sobe ao céu (Salmos 141:2). A mirra, resina antiséptica usada em embalsamamentos desde o Egito antigo, nos remete ao gênero da morte de Jesus, o martírio, sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (João 19: 39 e 40), sendo que estudos no Sudário de Turim encontraram estes produtos".
Longe de esgotarmos o assunto, porém vemos que os temidos erros de interpretação humana poderiam estar comunicados nestes presentes. Apesar de estar bem a idéia de separarmos um dos 365 dias do calendário para dedicarnos a esta celebração, a realidade que hoje encontramos é um pouco diferente do original. Por mais que evitemos pensar por este lado, o dia 25 de Dezembro tem se tornado, ano após ano, um oásis econômico para o comércio em geral. É hora de repor os vácuos financeiros sofridos durante o longo e claustrofóbico ano. Época em que a indústria do desejo fala, muitas vezes, mais alto que a rouca e tímida voz do nosso bolso. Envolvemos nossos cartões de crédito em situações tão embaraçosas que quase sempre acabamos compromentendo uma boa fatía do bolo que ainda comeríamos no ano seguinte; vale quase tudo para expressarmos nosso "espírito natalino" aos nossos amados.
Baseados nisto, nos permitimos mencionar agora um panorama futurístico que bem cabe ao primeiro presente - o Ouro. Será exagerado vê-lo como emblema do aqui já mencionado Natal capitalista-extravagante? uma propriedade interessante do ouro é que quanto mais peso tem, mais valor possui. Muitas vezes temos a sensação de que quanto mais desafiadora a dívida, o infindável carnê, mais desejo pelo novo e desnecessário temos. Impressionar torna-se obrigatório independente dos "efeitos colaterais".
O que dizer sobre a Mirra então? Partindo do principio defendido por Mark, suas propriedades antisépticas podem aqui remeter-se a nossa vã tentativa de conservar aquilo que precisa respeitar o seu curso natural. O espírito religioso, desde o tempo dos fariseus, tem sido embalsamado pela humanidade e com isso, em nome da preservação das velhas tradições empoeiradas pela falta de sentido, abrimos mão do foco principal. Presépios e imagens e tantos ícones, representam, muitas vezes, o culto a um Jesus apenas histórico.
Mas nem tudo está perdido. Cremos que, sob uma ótica também profética, Deus "lembrou-se" de um velho conhecido; algo que por suas características naturais mais se aproxima daquilo que lhe agrada. O Incenso, hoje sem muito valor comercial porém é um elemento que se iguala a nós enquanto adoradores pelo fato de que também precisa ser reduzido a pó para que cumpra sua função: Subir como cheiro suave! Não seria este um enigma perfeito que revelaria hoje o modo correto que deveriamos encarar esta data tão importante? Talvez, se pudessemos dar uma espiadinha, não veriamos algo muito diferente disto na "cartinha ao bom velhinho" escrita pelo “menino de Nazaré” na nossa ilustração anterior.
Mas se o exposto até aqui é provável, porque muitas vezes até mesmo os cristãos se opõem a comemorar o “aniversario” do Cristo encarnado? Ocorre que muitas vezes mal-gastamos nosso tempo preocupados com o paganismo que "sobrevoa” esta data; os atributos ocultos da formosa árvore de natal; a equivocada data do nascimento terreno do Salvador; a origem abominante de Santa Claus; porém ao "colocar lupa" nestes apectos não estamos de alguma forma perdendo o foco principal? Independente da precisão do dia (pesquisas recentes apontam para o fim de setembro, inicio de outubro baseados na gravidez de Isabel – mãe de João Batista), não seria mais oportuno celebrarmos a Sua chegada ao mundo; e mais, o seu nascimento em nosso coração! neste ambiente seguramente não haverá espaço para as debatidas origens pagãs e as exaustivas discussões.
Outro dia ao conversar com um amigo, pude aprender algo interessante sobre certidão de nascimento em alguns países da África. Muitas vezes pressionados por razões de força maior, muitos pais se viam obrigados a ocultar a identidade dos seus filhos e em não raros casos o registro de nascimento era confeccionado anos mais tarde da data exata, fazendo com que ainda hoje muitos adultos não saibam exatamente o dia em que podem comemorar o seu aniversário. Ao ver minha surpresa estampada nos olhos, ele, quem aqui vou tratá-lo por Smith, acrescentou: “O que importa é que um dia eu nasci e estou vivo”!
Ao encontrarmos o foco novamente, perceberemos que até mesmo a discutida troca de presentes, sem exageros claro, passariam a fazer mais sentido como foi na época da Rainha Ester onde a troca de dádivas era vista como pura manifestação de alegria pelo que Deus havia feito por eles.
Ao submetermos o assunto a este ponto de vista, veremos como velhos ícones, começando pela árvore enfeitada e chegando a própria figura do "Papai Noel" - das muitas máscaras quebradas - simplesmente deixam de ser o centro das atenções e passam a ocupar o lugar que lhes é devido: meros assistentes de palco. É neste ponto que renascerá em nós o verdadeiro Espírito do Natal.
Finalizamos lembrando que todos os regalos foram dados ao Filho de Deus naquele dia, não apenas um. Porém, naquela ocasião, de que lhe serviram o Ouro e a Mirra? Conclui-se que o único elemento que de fato pôde ser aproveitado, ainda que de forma inconsciente, foi sem dúvida o incenso suave figurando uma manifestação reduzida daquilo um dia lhe serviria como glória: o nosso louvor! Percebe que nossa intenção não é aquí desvalorizar os “derivados” do ouro e mirra, mas antes destacar o que precisa estar no centro da questão? Se assim analisarmos, veremos que enfim chegamos ao valor eterno da real face do Natal!
E você, ja sabe como presentear o seu Senhor e Salvador?
Se nossos homenageados Belchior, Baltazar e Gaspar merecem aplausos pela performance, que não daremos então ao Diretor do Universo por alertar-nos quanto às perigosas tentativas de banalização deste tão importante evento para o mundo cristão?
A propósito, antes que a euforia tome conta do cenário, é hora de também expressarmos nosso sincero desejo de um Feliz Ano Novo! Que não faltem alegrias neste ano que se inicia e que o verdadeiro sentido do Natal possa fazer sentido também para você! "...É o que desejamos ao papai, a mamãe e a todos que amamos..." aonde quer que estejam!
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